DG II

Dear Diary,

Hoje não foi um dia como outro qualquer. A imagem refletida no espelho já não era a mesma que há tempos via, parece mais velho, perdeu a cara de criança, a serenidade. Seus olhos mudaram o tom, não brilham mais, tem expressão forte que agora fala por si própria, não mais seduz, induz. O Dorian Gray finalmente havia se livrado da maldição. E agora, qual o próximo passo? Não se sabe, nada se sabe.

Seu despertar é inexplicável, assim como a bela face juvenil que já não mais é, só o que resta a desvendar o que esteve adormecido durante anos por debaixo de máscaras um tanto singelas (fascinantes), um tanto sedutoras (tentadoras).
Muita informação acumulada (confusão), com cuidado para não ter uma convulsão, uma overdose de pensamentos. Kilômetros de neurônios assíncronos querendo realizar sinapses (nervosas, desesperadas), uma hora em curto (surta), se não fosse o tempo...(nem seria, tinha de ser).

Pra quem imaginava que nunca iria haver fim, hoje dá pra ver o fim próximo. Nem que seja um fim aguardando a chegada de um início, mas como num projeto que precisa de conclusão, lá vai: Fim.

Nem é bem por aí neh??!!...rs

Tks!

Fuga


Por que foges de mim? Sou tão perigoso assim? Não imaginava que me aparentava assim, mas confesso que gostei. Achei fascinante, um tanto excitante. Demais! ;)
Olhei pra Saf e ela estava toda brilhante, radiante, anil. Compreende cada variância minha, é minha, faz parte de mim.
Tão cínico e irracional - assim sou, não sei se tenho razões para mudar isso, mudanças fazem perder a graça, o charme, nos levam ao convencional, e o convencional nunca chama a atenção, quando não é moda, é básico – prefiro ser ácido!
Ácidos corroem, limpam, renovam, faz o que você quiser com capricho. Sabendo um pouquinho que seja usar sua química, faz uma reação de deixar qualquer pessoa maluca.....................Nossa, vocês nem imaginam o que minha mente perversa andou pensando enquanto meus dedos encostavam no teclado...(vamos deixar pra lá neh..rs).
Ah, só mais uma coisa: - Não adianta fugir, não é meu esforço que me faz estar cerca de ti, presença constante, é minha sangre, siempre caliente. Só me encaminha, me deixando levar, te encontro lá. Simples assim... horas até Saf desaparece, ela não gosta de certas ousadias, se camufla, se faz de craca, uma gracinha, o melhor de mim nunca foi usado, sempre há mais a testar, novas reações, em evolução constante...
A vida pra mim nada mais é que um jogo de sedução, como já dizia o poeta: “é impossível ser feliz sozinho...”, mas se o fundamental é mesmo o amor, bom não viciar e ficar dependente dele, você pode tê-lo pra sempre, só querer. Um viciado faz de tudo por ele e acaba perdendo o jogo, e sofrendo. Pra quê sofrer neh? :D
Gracias!

Riscos


O que você sabe de riscos? Quer apostar que eu sei bem mais?
Fui acostumado desde cedo a borrar manuscritos, até de mãos atadas tive de fazê-los, e tinha de ser bem feito. Bem feito pra mim, quem mandou ser super-dotado...rs
Sei que é difícil, mas com o tempo se pega prática, até que possamos fazer coisas inimagináveis. Já pararam pra olhar seu passado e reparar que o primeiro instrumento que nos apresentam para escrita na escola não é um lápis de escrever e sim um giz de cera ou um lápis de cor? O que chama nossa atenção no aprendizado é sempre uma máscara, nunca sabemos o que está escondido por detrás das coisas belas. Mas pra quê dificultar também neh? Não podemos assinar documentos em tinta verde (uma pena, adoro essa cor..rs), mas pra que chegássemos a ponto de ter o poder de escrever algo na história, passamos pela barreira de colorir, e diz se não foi divertido (muito!).
Com o tempo, as coisas evoluem tanto que não somente o objeto de escrita muda (de lápis a caneta), mas também o ambiente de escrita, várias são as superfícies, vários são os ambientes que nos levam marcar nossa história, que nos inspiram, nos fazem trazer recordações de algo que nem vivemos ainda, mas que um dia irá ser resgatado. Pra tudo um por que, um pra quê. Como perceber algo que será marcante? Tudo é, basta se permitir viver.

Tks!

Igual y distinto


Mira como está o céu,
É azul!
Não tão azul como o meu,
Nem precisa ser.
Precisa apenas ser céu,
Ter um objetivo pra mim,
Me orientar.

Sigo adelante e distante,
Só vejo o horizonte.
Sim, vejo.
Não é o mesmo delineado por meu Sol,
Meu Sol também é diferente,
Mais quente.
Nem por isso estou desaquecido.

Sim, posso escuchar.
O canto das aves não é o mesmo,
Mas parecem tão iguais.
Quizás o sotaque das montanhas,
O canto da liberdade distante,
Do não saber o que é prisão.

Diante de mim um lago,
Suas águas turvas me faz recordar...
Meus tempos de infância,
Não dá pra voltar,
Mas no fundo de minha mente,
Sempre há o que lembrar.

Saf


Saf se apresentou com contorno mais azul aquela manhã. Era sinal de purificação. Quando nos renovamos, tudo fica mais claro. Claro feito uma manhã ensolarada, azul como um sol recém-nascido, representando o lado bom, a serenidade.
Enquanto nos admirávamos Saf me apontava respostas a inúmeras coisas. Nossos momentos de nostalgia são sempre bons para reflexões produtivas, e podem até mesmo levar à sua reprodução (causa/consequência).
Em meio a um turbilhão de pensamentos, idéias desordenadas e eteceteras e tais, um incômodo: saudade. Sempre falei que era tão gostosa, que o reencontro trazia momentos de êxtase jamais inesperados, sempre diferenciados e superados, mas dessa vez não era assim.
Poucas vezes eu vi Saf se escurecer, quase uma pérola negra (muito estranho). Na expectativa de me libertar de meu sofrimento, fui afetado por isso, e ela sentiu. Ela sempre sente, é transparente e colorida, traz vida a minha existência. Diferente de Pandra ou simplesmente Pan (minhas diabinhas safadas de consciência), Saf me acompanha aonde quer que eu vá, minha companheira leal e sexy (claro, não posso nunca perder a malícia), meu lado bom quase ninguém vê, e quando vêem (perdeu o acento??) perco a graça, passo a ser simplesmente intocável ou melhor – especial (é péssimo!), coisa mais sem graça pra quem gosta de sentir a suavidade da pele fervendo e transpirando...[suspiro]
- Não queria que sofresse!
- O que sabes de meus sentimentos?
O que sabemos de nossos sentimentos? Nem eu nem ninguém sabemos as coordenadas para se evitar a catástrofe. Ela costuma vir sempre, se não for por x, vem por y. A diferença é que muitas vezes um x tem uma receitinha para cura muito simples: água; e y um coquetel de drogas que te deixa vulnerável a coisas beeeem piores. Temos que aprender a lidar com tudo: com o amor e com a dor, não são antônimos, mas a perda do primeiro geralmente leva ao segundo. Dentro de nós existe resposta pra tudo, às vezes subestimamos nossas próprias habilidades e nos deixamos ser fracos, como dizia Capitão Planeta: “O Poder é de Vocês!” Temos todas as ferramentas nas mãos e realmente não temos o domínio de todas, mas se não dermos chances para experimentá-las, nunca vamos saber se estaremos prontos pros desafios diários que enfrentamos em nossas vidas, enquanto isso, apenas aproveite sem se preocupar com o sofrimento de amanhã, fique satisfeito(a) em se fazer feliz e propiciar momentos de alegria a segundos, terceiros. Entendidos? ;)
Eu que agradeço!